O fato
O mercado de trabalho americano voltou a surpreender e mudou o tom da semana. O relatório de emprego (payroll) de outubro, divulgado na sexta-feira, 06/11, mostrou criação de 165 mil vagas fora do setor agrícola, contra cerca de 65 mil esperadas por economistas ouvidos pela Reuters. A taxa de desemprego caiu de 4,2% para 4,1%, e os salários subiram 0,4% no mês. As revisões também vieram para cima: setembro passou de 29 mil para 60 mil vagas.
O efeito chegou ao Brasil pelo câmbio. O dólar fechou a sexta perto de R$ 5,51, o maior fechamento desde 30 de dezembro de 2025, e acumulou alta de 1,20% na semana.
Por que importa
O Fed manteve os juros entre 3,75% e 4% em outubro, mas deixou aberta a porta para uma alta em dezembro. Emprego forte e salário subindo reduzem o espaço para recuar dessa sinalização: após o dado, a probabilidade de alta de 0,25 ponto em dezembro, medida nos contratos futuros, ficou entre 77% e 79%, segundo leituras do CME FedWatch em horários diferentes.
Juro mais alto nos EUA torna o título americano mais atraente e puxa capital para o dólar. Para o Banco Central brasileiro, é pressão adicional: na quarta, 04/11, o Copom interrompeu uma sequência de cinco cortes e manteve a Selic em 13,75%, por unanimidade, num ambiente de câmbio já pressionado após o segundo turno.
Como a semana fechou
No fechamento de sexta, 06/11:
- Ibovespa (BOVA11): +1,39%, aos 168.498 pontos; na semana, +0,34%, interrompendo três semanas seguidas de perdas.