O fato
A produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro frente a agosto, informou o IBGE nesta quinta-feira (5). Na comparação com setembro de 2025, o recuo foi de 2,5%, a queda anual mais intensa desde março de 2024. Foi a quarta retração em cinco meses. No terceiro trimestre, a produção ficou 1,4% abaixo do mesmo período do ano passado, e o acumulado de 2026 sobrevive com alta de apenas 0,4%.
As maiores pressões vieram de derivados de petróleo e biocombustíveis (-4,2%), afetados pelas chuvas no processamento da cana, e de alimentos (-1,7%). O IBGE lembra que setembro teve um dia útil a menos que em 2025.
O dado chega horas depois de o Copom manter a Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade, na noite de quarta (4), interrompendo cinco cortes seguidos de 0,25 ponto iniciados em março.
Por que importa
O Banco Central parou de cortar com a atividade perdendo força porque o problema dele está do outro lado: a inflação. No comunicado, o BC elevou a projeção do IPCA de 2026 de 5,2% para 5,6%, acima do teto de 4,5%, e colocou 4,7% para 2027. No horizonte relevante, o segundo trimestre de 2028, a estimativa é de 3,5% — ainda acima da meta de 3%. As expectativas do Focus para 2026 e 2027 também se afastaram do alvo, em 5,2% e 4,8%.
O resultado é um juro real elevado aplicado sobre uma indústria que já encolhe. Crédito caro pesa justamente sobre os setores que dependem de financiamento — bens duráveis, construção, máquinas. Juro parado por mais tempo e economia esfriando é a combinação que o mercado passa a ler a partir de hoje.
Quem reage
O Ibovespa (BOVA11) opera em alta: por volta das 11h20, subia 0,75%, a 168.817 pontos, no segundo pregão de recuperação após seis quedas seguidas, apoiado na temporada de balanços. O dólar à vista recuava , a R$ 5,431, às 11h10. Na curva de juros, o DI para janeiro de 2027 subia para 13,665% no início do dia, enquanto vencimentos de 2029 e 2031 recuavam — sinal de juro curto mais alto por mais tempo.