O que move os mercados nesta manhã
A manhã é de espera técnica: a Ásia fechou mista, com o KOSPI na liderança e o HSI de Hong Kong destoando para trás, enquanto os futuros de Nova York seguem apoiados pela queda do petróleo. O WTI recuou 2,3% ontem, fechando perto de US$ 80,45, após sinais de distensão diplomática sobre o Estreito de Ormuz e alta nos estoques comerciais dos EUA — o Brent operou entre US$ 85,01 e US$ 86,10. O Treasury de 10 anos segue perto de 4,22%-4,24%, sem pressão adicional sobre o dólar. O evento que concentra a atenção da manhã é o balanço da Nvidia, divulgado após o fechamento em Nova York, com o mercado projetando receita de cerca de US$ 91 bilhões — resultado tratado como termômetro para o apetite por ações de tecnologia e IA que sustentou o rali do mês.
Como fechou o último pregão
Wall Street fechou ontem em alta moderada: o Dow Jones subiu 0,30%, a 53.577 pontos; o S&P 500 avançou 0,32%, a 7.677; e o Nasdaq liderou com 0,66%, a 26.151, puxado pela recuperação parcial do setor de semicondutores, que havia caído mais de 3% na segunda-feira. No Brasil, o Ibovespa encerrou o quinto pregão seguido em alta, subindo 1,55% para 174.576,80 pontos, com bancos e Vale (+2,04%) na dianteira. O dólar recuou 0,23%, para R$ 5,141. O pano de fundo doméstico é o quarto corte consecutivo de juros pelo Banco Central, que levou a Selic a 14,00% — um ponto percentual abaixo do pico de 15,00%. O ouro fechou em US$ 4.675,96 a onça.
Agenda do dia
Às 9h (BRT), sai o IPCA-15 de agosto, com expectativa de deflação de 0,31% no mês — puxada pelo bônus de Itaipu na conta de luz — e alta de 4,34% em 12 meses. À noite, depois do fechamento em Nova York, é a vez do balanço da Nvidia. No radar da semana, o Federal Reserve promove seu simpósio em Jackson Hole entre quinta e sexta-feira, com o primeiro discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, marcado para sexta — no mesmo dia da divulgação do PCE de julho, medida preferida de inflação do Fed. O mercado precifica poucas chances de corte de juros americano em setembro; o Goldman Sachs projeta a taxa mantida entre 3,50% e 3,75% até o fim de 2026.
A leitura para o portfólio
O viés é de cautela seletiva. A sequência de cortes da Selic e o fôlego dos bancos tendem a sustentar o BOVA11 na abertura, com o IPCA-15 de hoje como gatilho extra caso confirme a deflação esperada. Do lado externo, NASD11 fica mais exposto ao resultado da Nvidia à noite — um número abaixo do esperado pode reverter o otimismo recente do setor. A queda do petróleo tende a pesar sobre ativos ligados a energia, enquanto o GOLD11 segue perto de máximas, sustentado pela busca por proteção antes de Jackson Hole. Não há sinal de estresse nos juros longos dos EUA, o que mantém o cenário de risco controlado até os eventos da semana.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.